Bom dia Pessoal!

Você já deve ter ouvido muitas pessoas falarem mais de uma vez a seguinte frase: “O trader não pode ter sentimento!” Frustração, raiva, medo, temor, confiança, etc, etc… são sentimentos comuns vividos pelos traders e será que é mesmo verdade que os traders “não tem sentimentos”?

Os sentimentos são inerentes da mente humana, antes de sermos traders somos humanos, portanto sempre teremos sentimentos. A questão aqui é, o que fazemos com esses sentimentos? Deixamos com que eles interfiram em nossa rotina operacional? Tentamos ocultá-lo com a frase de super homem: “eu sou trader e não tenho sentimento”?

Convido a você leitor tratar esse assunto com outra perspectiva.

OS SENTIMENTOS CONTÊM INFORMAÇÕES!

Pesquisas em neurociência descobrem que a emoção é uma componente importante da tomada de decisão racional, ou seja, se fôssemos seres desprovidos de emoção/ sentimento teríamos nossos comportamentos totalmente distorcidos. Nosso dever como operadores do mercado financeiro não é “se livrar” dos sentimentos de uma sequência de perdas por exemplo, isso não resolve o problema raiz, mas sim dar-lhe conhecimento total e extrair as informações contidas nesses sentimentos. Não estou aqui dizendo para remoermos os sentimentos, se trancar num quarto e ficar se martirizando, não é nada disso! É extrair a informação relevante dentro daquele sentimento.

Para extrair e organizar essa extração sugiro ter um diário para escrever de forma detalhada esses sentimentos. Muitas vezes, após escrever e reler podemos chegar a conclusão, por exemplo, que estávamos sendo duros demais conosco, e que todo aquele sentimento ruim não era justificado. Entendem a diferença entre “se livrar” do sentimento e “extrair a informação”?

Quando perdemos a oportunidade de reconhecer as emoções, perdemos as informações importantes para uma mudança de percepção, fazendo com que tenhamos a probabilidade de “carregar” esse problema para o dia seguinte, entrando em um ciclo vicioso.

A ideia, então, é transformar o sentimento, não ignorá-lo. Uma maneira de fazer isso é substituir um estado emocional por outro: substituir sentimento por sentimento, não pensamento por sentimento.

Em seu livro The Daily Trading Coach, 101 Lessons for Becoming Your Own Trading Psychologist, BRETT N. STEENBARGER recomenda o seguinte exercício que gostaria de compartilhar com vocês:

“Um exercício que recomendo aos traders é desenhar dois termômetros lado a lado em uma folha de papel e depois retirar várias cópias do papel. O termômetro registra sua temperatura emocional com respeito à frustração; o outro registra sua temperatura com respeito à falta de confiança. A folha permanece na sua estação de trabalho; tudo o que você precisa fazer é marcar cada termômetro para indicar o grau de frustração e confiança que sente no momento.

Quando estamos mais frustrados, mas também mais confiantes, provavelmente tomaremos nossas piores decisões e violaremos nossos princípios operacionais. Se você exigir que você “tome sua temperatura emocional” durante cada sessão de negociação, você cria um mecanismo para capturar seu estado mental antes que ele possa interromper o desempenho operacional.

Uma vez que você identifique uma temperatura elevada de frustração, uma regra automática e valiosa é tirar alguns minutos da tela e entrar em uma formação de transe. Isso pode ser feito regulando sua respiração – tornando-a particularmente profunda e lenta – e fixando sua atenção em algo que capta sua atenção: música, imagens ou uma foto à sua frente. Se você desacelera seu corpo e desvia sua atenção das situações que podem estar elevando sua temperatura emocional, você muda seu estado e facilita a execução de uma forma calma e sem planejamento. Com prática, isso pode ser concluído em questão de minutos, causando um curto-circuito em muitos padrões disruptivos antes que eles levem a decisões de negociação ruins.”

A chave é manter-se consciente do seu estado emocional ao longo do dia. Os termômetros são uma maneira fácil e visualmente atraente de “medir” nossa temperatura emocional.

Ótimos trades a todos!

Márcio Frisso